Gestão Racional de Antibióticos, Precisão Diagnóstica e Qualidade dos Cuidados na Apendicectomia: Uma Auditoria Retrospetiva num Hospital Central
Autores
Joana Soares, Beatriz Marques, Gonçalo Soares, Maria João Alves, Francisca Rosas, Inês Cruz, Lourenço Thierstein, Raquel Correia, Vítor Valente, Paulo Soares
Resumo Introdução
A classificação intraoperatória de apendicite aguda é crucial para orientar antibioterapia pós-operatória e garantir um uso racional de antibióticos. Objetivos: Avaliar padrões de antibioterapia e adesão às Guidelines; concordância entre classificação intraoperatória e histopatológica; impacto do uso inadequado de antibióticos nas complicações infeciosas e no tempo de internamento.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo incluindo doentes submetidos a apendicectomia entre setembro de 2024 e setembro de 2025 num hospital central. Recolheram-se dados clínicos, histológicos, complicações infeciosas até 30 dias e tempo de internamento.
Resumo Resultados
Foram incluídos 217 doentes. A classificação intraoperatória considerou 56,2% das apendicites como complicadas, enquanto a histológica confirmou 20,7%, com fraca concordância (Kappa=0,283;p<0,001). A taxa de antibioterapia pós-operatória nos casos histologicamente não complicados foi 60,5%. As complicações infeciosas ocorreram em 4,1% dos casos, sem diferenças estatisticamente significativas entre quem cumpriu e quem não cumpriu com as Guidelines (p=0,834). O tempo mediano de internamento foi de 2 dias nos casos que cumpriram com as recomendações e de 3 dias nos que não cumpriram, sem significado estatístico (p=0,076).
Resumo Discussão
A sobreclassificação intraoperatória da apendicite contribui para prescrição excessiva de antibióticos sem benefício clínico demonstrável. A implementação de protocolos padronizados poderá otimizar o uso de antibióticos, mantendo qualidade assistencial.