Reparação esfincteriana após trauma perineal grave: um caso de sucesso
Autores
Sara Leonor, Inês Bagnari, Joana Bonança, Diogo Vieira, António Mora, Ana Nunes Vieira
Resumo Introdução
As lesões perineais traumáticas são raras. O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar e visa o controlo da contaminação, reconstrução anatómica e preservação da função esfincteriana. A utilização de colostomia derivativa e terapias adjuvantes, como a terapia por pressão negativa (TPN), pode ser determinante para o sucesso cicatricial e funcional.
Resumo Métodos
Descrição do caso com recurso a registos clínicos e fotográficos.
Resumo Resultados
Homem de 45 anos, com antecedentes de alcoolismo crónico e tabagismo. Vítima de atropelamento por automóvel ligeiro, apresentando politraumatismo grave, incluindo pneumotórax aberto, esfacelo perineal com lesão do complexo esfincteriano anal, múltiplas lacerações cutâneas e várias fraturas ósseas. Após estabilização inicial no serviço de urgência, foi submetido no bloco operatório a esfincteroplastia e reconstrução perineal com retalhos locais, colostomia derivativa do sigmoide e encerramento da ferida torácica. O pós-operatório foi complicado por deiscência e infeção perineal, exigindo múltiplos desbridamentos cirúrgicos e TPN até à epitelização completa das feridas. Durante o seguimento, observou-se cicatrização completa das feridas e melhoria progressiva do tónus esfincteriano anal, embora com hipotonia residual, tendo sido encaminhado para Medicina Física e de Reabilitação. Posteriormente foi realizado o encerramento da colostomia.
Resumo Discussão
A reparação esfincteriana no trauma perineal é um desafio que requer uma abordagem multidisciplinar para o sucesso terapêutico.