Morbimortalidade aos 90 Dias após Cirurgia Eletiva do Cancro Gástrico em Portugal: Uma Subanálise do HOLD Study
Autores
Cláudia Neves Marques; Diogo Branco Pais; Paulo Matos Costa; Kamal Mahawar; HOLD Study Collaborative Group - Portugal
Resumo Introdução
A significativa morbilidade pós-operatória do cancro gástrico torna essencial a avaliação sistemática dos resultados, num cenário nacional marcado pela ausência de dados atualizados. Objetivo: caracterizar a morbilidade e mortalidade aos 90 dias após cirurgia gástrica em Portugal.
Resumo Métodos
Estudo multicêntrico prospetivo de doentes ?18 anos submetidos a cirurgia eletiva curativa para cancro gástrico. Excludos: casos metastáticos, GIST, neoplasias síncronas e tumores da junção esofagogástrica Siewert I/II. Análise por regressão logística univariada e multivariada de dados clínicos e cirúrgicos a 90 dias.
Resumo Resultados
Incluíram-se 175 doentes de 12 hospitais portugueses submetidos a gastrectomia. Idade média foi 69,8 anos e 61% eram homens; ASA II?III 96% e 98,3% Charlson ?1 e 62% Charlson ?3. Morbilidade aos 90 dias de 33,1%, com 11,4% de complicações major e leak anastomótica não duodenal como evento mais frequente. A mortalidade aos 90 dias foi 4,6%. Em análise univariada, maior Charlson associou-se a morbilidade (p=0,002), mantendo-se preditor independente em multivariada (p=0,003). A mortalidade associou-se a ASA elevado e Charlson, persistindo apenas este último em modelo ajustado (p=0,016).
Resumo Discussão
No contexto nacional, não existe publicação recente com metodologia ou volume comparável na cirurgia gástrica. Os resultados mostram que a comorbilidade é o principal fator prognóstico para eventos adversos, reforçando a importância da otimização pré-operatória e resgate precoce no período pós-operatório.