XLVI Congresso

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Hemoglobina e transfusões perioperatórias: risco de complicações major e mortalidade na cirurgia por cancro gástrico

Autores

Ana Rita Lourenço, Beatriz Louro, Inês Mendonça, Rita Gonçalves, Nicole Silva, Sofia Coelho, Helena Devesa, Marina Duarte, Pedro Mesquita, Paulo Sintra

Resumo Introdução

A anemia pré-operatória é fator de risco reconhecido para a morbimortalidade cirúrgica. A gestão dos valores de hemoglobina e do suporte transfusional continua a ser desafiante em cirurgias major.

Resumo Métodos

Estudo retrospetivo dos doentes submetidos a gastrectomia por cancro gástrico de 2011 a 2023. Foram analisadas as variáveis: sexo, idade, cirurgia e via de abordagem, valor de hemoglobina perioperatória e ocorrência de transfusões perioperatórias bem como o tempo de internamento, morbilidade e mortalidade.

Resumo Resultados

Incluíram-se 227 doentes, 64% homens, com uma mediana de 73 anos. Quanto à hemoglobina pré operatória, verificou-se para cada aumento de 1 g/dL, uma redução de 24% na mortalidade aos 30 dias (OR = 0,76; IC95% 0,63?0,92; p = 0,004). Quanto à hemoglobina pós operatória, cada aumento de 1 g/dL reduziu em cerca de 60% a ocorrência de complicação major (OR = 0,40; IC95% 0,29?0,56; p < 0,001) e em cerca de 50% a mortalidade aos 30 dias (OR = 0,50; IC95% 0,34?0,72; p < 0,001). A transfusão pós-operatória foi associada à ocorrência de complicação major, aumentando em 2,7 vezes o risco para cada unidade transfundida (OR = 2,75; IC95% 1,67?4,51; p < 0,001). Tanto a transfusão pré-operatória (OR = 1,43; IC95% 1,02?1,99; p = 0,036) quanto a pós-operatória (OR = 1,74; IC95% 1,15?2,62; p = 0,008) estão associadas de forma independente à mortalidade.

Resumo Discussão

Conclui-se a importância da preabilitação dos doentes e a implementação de protocolos de gestão de sangue privilegiando a transfusão restritiva.

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