Implementação do Bariatric Frailty Index (bFI) e o impacto nos resultados pós-operatórios
Autores
José P Vieira de Sousa, Fernando Resende, Hugo Santos-Sousa, Carolina Coutinho, André Costa-Pinho, John Preto, Frederica Gonçalves, César Alvarez, Silvestre Carneiro, Eduardo Lima-da-Costa
Resumo Introdução
A fragilidade tornou-se um fator crucial para o risco pós-operatório em idosos submetidos a cirurgia bariátrica. O Bariatric Frailty Index (bFI), desenvolvido e validado numa coorte multicêntrica nacional de pacientes ?60 anos, utiliza nove variáveis préoperatórias para quantificar o risco individual de fragilidade. Estudo retrospetivo para avaliar a aplicação e a utilidade do bFI numa coorte local.
Resumo Métodos
Foram analisados 231 pacientes com ?60 anos submetidos a cirúrgica bariátrica primária. Dados demográficos, clínicos e antropométricos, bem como resultados pós-operatórios (complicações, re-internamentos e duração do internamento) foram recolhidos, com análise estatística entre grupos frágeis e não-frágeis, incluindo fatores de risco independentes.
Resumo Resultados
A média de idade foi 62,5 anos e IMC médio 41,9?±?4,8?kg/m². A fragilidade (bFI >0,27) foi identificada em 31,2%. Os doentes frágeis apresentaram taxas superiores de complicações a 30 dias (13,9% vs. 10,7%), re-internamentos (2.5% vs. 1.4%) e complicações graves (2,8% vs. 2,5%). O bFI demonstrou forte associação com eventos adversos na regressão logística, e o tabagismo também foi associado a risco acrescido.
Resumo Discussão
A avaliação de fragilidade pelo bFI é exequível e permite uma estratificação objetiva do risco e decisões multidisciplinares mais informadas, sobretudo em casos complexos. Os dados obtidos apoiam a utilização alargada e validação prospetiva futura do bFI em diferentes contextos clínicos.