Fístula rádica - uma complicação rara após radioterapia
Autores
Luísa Magno, Sara Brito, Marta Carvalho, Catarina Osório, Mariana Santos, Teresa Santos
Resumo Introdução
A radioterapia é uma componente fundamental do tratamento multimodal do cancro da mama. A fístula rádica é uma complicação rara que se caracteriza por uma comunicação anormal entre o tecido mamário ou tecido celular subcutâneo da parede torácica e a pele. Como mecanismo causal, destaca-se a inflamação crónica, redução da vascularização e fibrose dos tecidos secundários à radioterapia.
Resumo Métodos
Descrição de caso clínico com consulta do processo clínico eletrónico. Objetivo de discussão de possíveis abordagens terapêuticas em caso de fístula rádica na mama.
Resumo Resultados
Mulher de 60 anos com neoplasia da mama esquerda (carcinoma invasor tipo apócrino, triplo negativo, ki67 30-35%) foi submetida a tumorectomia alargada com biópsia de gânglio sentinela em setembro 2022 (pT2 G3 N0 ILV0 IPN0 R0). Fez tratamento adjuvante com quimio e radioterapia até junho 2023. Em novembro 2023 recorreu à consulta por drenagem serosa de orifício de novo no sulco inframamário esquerdo, compatível com fístula rádica. Durante um ano a doente realizou cuidados de penso regulares na consulta, mantendo persistentemente drenagem e sinais inflamatórios locais. Foi submetida a excisão de fístula e reconstrução com retalho de perfurantes torácicas AICAP em abril de 2025.
Resumo Discussão
A excisão completa do trajeto fistuloso corresponde à estratégia ideal para tratamento de uma fístula rádica. Em alguns casos, poderá existir necessidade de reconstrução com retalho. Assim, destaca-se a importância de um planeamento cirúrgico individualizado.