Estudo DETOX: análise a 6 meses da dose ótima de toxina botulínica na fissura anal crónica
Autores
Maria Reigota Miranda, Plácido Gomes, Isabel Caetano, Sandra Barbeiro, Helena Vasconcelos, Carina Leal
Resumo Introdução
A fissura anal crónica tem impacto na qualidade de vida. O espasmo esfincteriano é o principal mecanismo fisiopatológico e alvo terapêutico. A esfincterotomia, embora eficaz, comporta risco de incontinência, sendo a toxina botulínica A (TB) uma opção menos invasiva.
Resumo Métodos
Avaliação da eficácia e segurança de 2 doses de TB (25U vs 33U) no tratamento da fissura anal crónica.
Resumo Resultados
Estudo prospetivo, randomizado e duplamente cego, em adultos com fissura anal crónica refratária a tratamento tópico. Randomização para injeção interesfincteriana bilateral de 25U ou 33U de TB (Botox®). Avaliação de taxa de cicatrização, dor, hemorragia, qualidade de vida (REALISE) e complicações, às 12 semanas e 6 meses.
Resumo Discussão
Incluídos 29 doentes (19 homens; idade média 55±15 anos). Às 12 semanas, a cicatrização global foi 58,6%, sem diferença entre grupos (33U: 64,3% vs 25U: 53,3%; p=0,710). O score REALISE e a dor anal melhoraram significativamente nos 2 grupos (p<0,001). A dor pós-dejeção e a hemorragia reduziram-se mais no grupo 33U (p=0,013 e p=0,047). A QoL melhorou (p < 0,011) e a continência manteve-se. Aos 6 meses (n = 16), todos os doentes mantinham ausência de dor e QoL estável (QoL mediana = 1[1?2] vs 1[1?1]; p = 0,168), sem recidiva sintomática ou complicações. Ambas as doses de TB foram eficazes e seguras, com superioridade da dose 33U na dor e hemorragia. Os resultados clínicos e funcionais mantiveram-se aos 6 meses.