Síndrome de Roubo da Artéria Mamária Interna por Fístula Arteriovenosa de Alto Débito: Um Caso Raro de Angina Refratária após Duplo Bypass Coronário
Autores
Miguel Lopes das Neves, João Pimenta Castro, Maria João Jervis, Belarmino Clemente, Inês Alegre, Carlos Nascimento.
Resumo Introdução
As fístulas arteriovenosas (FAV) para acesso vascular dialítico são bem toleradas com baixas taxas de complicações associadas. No entanto, podem resultar em efeitos hemodinâmicos como o aumento do débito cardíaco e o aumento da demanda de oxigénio pelo coração, e induzir fenómenos de "roubo" vascular.
Resumo Métodos
Homem de 75 anos, transplantado renal, história de doença coronária complexa (>10 ICPs; bypass coronário duplo MIE-DA e VS-PL em 2014 e reintervenção em 2023 com novo bypass VS-DP). No pós-operatório apresentou-se com angina de início precoce, refratária apesar de investigação cardiológica exaustiva. Suspeitou-se de roubo mamária interna esquerda pela FAV rádio-cefálica aneurismática e com hiperdébito no antebraço esquerdo.
Resumo Resultados
Angio-TC mostrou permeabilidade dos bypass, sem progressão da doença nativa. O ecoDoppler confirmou FAV de alto débito (1800 mL/min). Perante a boa função do enxerto renal, foi submetido a laqueação da FAV com reconstrução da artéria radial. Um mês após a cirurgia, o doente apresentava uma melhoria significativa da sintomatologia anginosa.
Resumo Discussão
Este caso ilustra uma causa rara de angina refratária em doentes com bypass da artéria mamária interna e com FAV. A laqueação da FAV foi o tratamento curativo, resolvendo o "roubo" da mamária interna. O síndrome de roubo coronário deve ser considerado nos doentes submetidos a cirurgia de vascularização com a mamária interna, sendo a medição do débito da FAV e exclusão de outras obstruções, essenciais para o diagnóstico.