Colecistite Litiásica Aguda: O Impacto da Análise Microbiológica da Bílis Intra-Operatória
Autores
Fábio Viveiros, Inês Arnaud, Cláudia Lima, Raquel Gomes, Nuno Gonçalves, José Pedro Fernandes, Tiago Sá, Rui Escaleira, Licínio Rego
Resumo Introdução
A análise microbiológica (MB) da bílis em colecistectomias por colecistite aguda litiásica pode ajudar a ajustar a antibioterapia e conhecer o perfil epidemiológico local, mas sua utilidade clínica direta permanece controversa. Este trabalho teve como objetivo avaliar o impacto clínico da colheita de bílis intra-operatória na conduta terapêutica, complicações e internamento.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo e observacional com 90 doentes submetidos a colecistectomia por colecistite aguda, divididos entre grupos com e sem colheita de bílis. Foram analisadas variáveis clínicas, complicações, necessidade de reintervenção, tempo de internamento e alteração de antibioterapia.
Resumo Resultados
A colheita de bílis foi realizada em 22 doentes (24,4%). Alterações na antibioterapia com base nos resultados ocorreram em 2 casos (9,1%) do grupo com colheita e em nenhum do grupo sem colheita (p=0,0577). Não houve diferenças significativas em complicações (18,2% vs. 13,2%; p=0,7275), reintervenções (0% vs. 2,9%; p=1,0) ou tempo de internamento (6,2 vs. 6,1 dias; p=0,3059).
Resumo Discussão
A colheita de bílis não demonstrou impacto clínico significativo nos desfechos cirúrgicos imediatos, mas revelou tendência a ajustes antibióticos em casos selecionados. Embora o impacto direto da análise microbiológica da bílis tenha sido limitado nesta amostra, esta pode ser útil em contextos específicos e permanece relevante do ponto de vista epidemiológico para definição de protocolos antibióticos institucionais.