Trauma penetrante da coxa: da exclusão de lesão vascular à gestão cirúrgica de ferida complexa.
Autores
Mariana Cruz; Rita Andrade; Cristina Uriarte; Pedro Silva-Vaz; José Guilherme Tralhão.
Resumo Introdução
Lesões penetrantes dos membros têm elevado potencial de gravidade, frequentemente associadas a dano vascular. Quando o objeto estranho é orgânico acresce a possibilidade de retenção de fragmentos, resultando em feridas conspurcadas cujo tratamento se pode tornar num desafio.
Resumo Métodos
Homem de 39 anos com traumatismo penetrante da coxa com estaca de madeira projetada por máquina. Ao exame objetivo apresentava estaca inserida em cerca de 10cm de comprimento, na face interna da coxa, com dor. O membro estava quente e bem perfundido. A angioTC revelou trajeto na espessura do tecido celular subcutâneo, sem atingimento do plano muscular. Foi feita remoção cirúrgica do fragmento sob sedação e limpeza da ferida com remoção de detritos. Foi colocado dreno, efetuado encerramento parcial e iniciada antibioterapia.
Resumo Resultados
Durante o seguimento em consulta o doente apresentou seroma ao 14º dia, sem sinais clínicos de infeção. Efetuada drenagem, com evolução favorável e cicatrização completa objetivada em D47, sem sequelas.
Resumo Discussão
Este caso ilustra a relevância da avaliação vascular imagiológica na exclusão de complicações por trauma penetrante e no planeamento de uma eventual intervenção. O tratamento de feridas traumáticas penetrantes por materiais orgânicos exige uma abordagem sistematizada dos cuidados à ferida, conjugando práticas de limpeza cirúrgica, drenagem, antibioterapia empírica e vigilância regular que permita uma abordagem atempada de eventuais complicações.