Perfurações associadas à CPRE - a experiência de um serviço
Autores
Beatriz Neves, Francisca Costa Rebelo, Tobias Teles, Daniela Sá Lesão, Alexandra Cabeleira
Resumo Introdução
A CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) é uma técnica prevalente na prática clínica atual. As complicações major podem ocorrer em até 10% das CPREs. As perfurações ocorrem em 0,4-1,7% das CPREs e 8% destas culminam em morte. Torna-se assim imperativo que cada serviço de Cirurgia Geral reveja a abordagem das perfurações associadas à CPRE.
Resumo Métodos
Foram consultados os processos clínicos dos doentes que realizaram CPRE num serviço de Cirurgia Geral de 01/01/2022 até 30/09/2025.
Resumo Resultados
Foram realizadas 278 CPREs no período supracitado. Foram diagnosticadas 6 perfurações associadas à CPRE. A perfuração foi detetada durante a CPRE em 2 doentes. De acordo com a Classificação de Stapfer, 2 doentes sofreram uma perfuração tipo I, 2 do Tipo III, 1 do tipo II e 1 do tipo IV. A taxa de mortalidade foi de 50% (n=3). Em 50% (n=3) dos doentes foi utilizado o pré-corte. 50% (n=3) iniciaram terapêutica médica, 1 dos quais necessitou cirurgia por falência da terapêutica inicial. Os restantes 3 foram abordados cirurgicamente ad initium.
Resumo Discussão
A classificação de Stapfer divide as perfurações segundo a anatomia e orienta a sua abordagem. As indicações cirúrgicas são independentes da classificação. Apesar da abordagem cirúrgica se ter vindo a tornar preterida, a terapêutica conservadora nem sempre é eficaz. A taxa de mortalidade nos casos de falência do tratamento conservador é de quase 50%. Os serviços de Cirurgia Geral devem analisar a sua atuação e estabelecer um protocolo para estas complicações.