Fístula gastro-esplénica como causa rara de hemorragia digestiva alta: um desafio diagnóstico e terapêutico
Autores
Rita Banza, Beatriz Cabaceira Luciano, André Ruge Gonçalves, João Simões, Sandra Ferraz, Mónica Laureano, Miguel Coelho dos Santos
Resumo Introdução
A fístula gastro-esplénica (FGE) é uma complicação rara e potencialmente fatal, maioritariamente associada a neoplasias, como o linfoma esplénico. A apresentação pode ser insidiosa, contudo, raramente, manifesta-se por hemorragia digestiva alta (HDA) catastrófica.
Resumo Métodos
Apresenta-se um caso de FGE secundária a linfoma. Homem, 80 anos, admitido no SU por hematemeses, melenas e dor abdominal. A angio-TC revelou múltiplas massas esplénicas heterogéneas, sem plano de clivagem com o estômago. A endoscopia digestiva alta identificou hemorragia ativa de alto débito no fundo/corpo gástrico. Efetuada terapêutica com adrenalina e endoclips com sucesso.
Resumo Resultados
Internado com suspeita de FGE por doença linfoproliferativa. A biópsia esplénica confirmou o diagnóstico de Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB). O estadiamento por PET revelou doença disseminada, tendo sido orientado em conjunto com Hematologia para quimioterapia paliativa. Sem novos episódios de hemorragia ou agravamento da anemia no internamento.
Resumo Discussão
A FGE é uma complicação rara do LDGCB com elevada morbimortalidade. O tratamento de eleição é cirúrgico, contudo, a embolização da artéria esplénica pode ser utilizada como ponte terapêutica. A abordagem conservadora acarreta um elevado risco. Este caso demonstra sucesso após abordagem endoscópica da HDA por FGE secundária a LDGCB, podendo ser considerada em doentes com pouca reserva e ausência de radiologia de intervenção.