Quimioterapia Neoadjuvante em Tumores Pancreáticos: Experiência de um Centro
Autores
Maria Manuel Iglésias, Inês Rosário, Mariana Miranda, Diogo Silva, Luísa Frutuoso, Tiago Fonseca, Jessica Neves, Tiago Ferreira, Mário Nora
Resumo Introdução
O adenocarcinoma ductal do pâncreas é o subtipo mais prevalente de cancro pancreático, apresentando-se frequentemente em estadios avançados. Apenas 15?20% dos doentes são candidatos a resseção com intenção curativa, procedimento associado a elevada morbilidade. Nos restantes casos, a quimioterapia neoadjuvante assume particular relevância por permitir o início precoce de terapêutica sistémica e por selecionar doentes com biologia tumoral mais favorável, evitando intervenções invasivas de benefício limitado.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo de todos os doentes com neoplasia pancreática submetidos a quimioterapia neoadjuvante entre 2020 e 2024.
Resumo Resultados
Foram incluídos 25 doentes, maioritariamente com tumores cefalopancreáticos (88%); 56% eram borderline ressecáveis (BR). Após neoadjuvância, 28% foram operados (18% dos localmente avançados (LA); 36% dos BR). Todos os submetidos a cirurgia realizaram duodenopancreatectomia cefálica, sendo necessária resseção vascular em 28,6%. A taxa de resseção R0 foi de 71% ( 80% BR; 50% LA) . A morbilidade pós-operatória minor foi de 28,6% e major de 14,3%. Verificou-se recidiva à distância em 28% (50% LA; 20% BR). A sobrevivência livre de doença mediana nos BR foi de 25,2 meses.
Resumo Discussão
A quimioterapia neoadjuvante demonstra benefício sobretudo nos PDAC-BR, ao aumentar a probabilidade de ressecabilidade e prolongar a sobrevivência. Os resultados do nosso centro, incluindo morbilidade, resseção R0 e taxa de recidiva, são consistentes com os descritos na literatura.