Migração extraluminal de corpo estranho em doente imunodeprimido: desafio diagnóstico e abordagem cirúrgica dirigida
Autores
Tatiana Basto, Vânia Moreira, Joana Almeida, Nuno Teixeira
Resumo Introdução
A ingestão de corpos estranhos é frequente, mas a sua migração extraluminal até à parede abdominal é rara. A apresentação clínica pode ser ténue, sobretudo em doentes imunodeprimidos, dificultando o diagnóstico precoce.
Resumo Métodos
Homem, 59 anos, com colite ulcerosa sob ustekinumab, com dor no flanco direito há 6 dias e tumefação com sinais inflamatórios há 24 horas. Analiticamente sem alterações. TC-AP evidencia corpo estranho linear intramuscular na transição dos quadrantes direitos, sem complicações associadas. Procedeu-se a abordagem sob anestesia local, com incisão sobre a tumefação, disseção por planos e remoção de espinha de peixe (~2 cm), lavagem, aproximação do TCS e cicatrização por 2ª intenção. Alta com antibioterapia e cuidados de penso.
Resumo Resultados
Follow-up sem intercorrências.
Resumo Discussão
A migração extraluminal de espinhas de peixe é rara e pode manifestar-se como tumefação da parede abdominal, simulando patologia infeciosa ou tumoral. A ausência de história de ingestão, a normalidade analítica e a terapêutica biológica contribuíram, neste caso, para um quadro pouco específico, sublinhando as limitações da avaliação dos doentes imunodeprimidos. A imagiologia é determinante para a identificação do corpo estranho e exclusão de complicações. Este caso realça a necessidade de suspeitar de corpo estranho migrado nas tumefações inflamatórias atípicas da parede abdominal, demonstrando que uma estratégia imagiologicamente orientada pode evitar procedimentos invasivo, em casos selecionados.