Do trauma abdominal à reabilitação: abordagem cirúrgica de laceração duodenopancreática grave
Autores
Alexandra Silva Rocha, André Fontoura, Daniela Martins, Catarina Ortigosa, Daniel Martins, Ana Paula Torre, Wilson Malta, Amélia Tavares, Antónia Póvoa, Bela Pereira
Resumo Introdução
O trauma abdominal com lesão duodenal e pancreática é raro, de elevada morbimortalidade, exigindo intervenção cirúrgica precoce e seguimento multidisciplinar
Resumo Métodos
Apresenta-se o caso de um homem,31 anos, vítima de acidente de motociclo, admitido em choque hipovolémico. A tomografia computadorizada (TC) inicial revelou hemoperitoneu e pneumoperitoneu. Submetido a laparotomia exploradora de emergência, que revelou hemoperitoneu de ~2000?mL, laceração quase circunferencial de D4 e hemorragia da raiz do mesentério. Realizou-se enterectomia de 5?cm de jejuno não viável, anastomose duodenojejunal término-terminal manual e jejunostomia tipo Witzel. Apresentava ainda laceração renal e esplénica, tratadas conservadoramente, sem outras lesões intra-abdominais
Resumo Resultados
No pós-operatório, foi diagnosticada fístula pancreática, confirmada pelo líquido de drenagem, com ruptura do ducto de Wirsung no contexto de trauma, tratada com octreótido até ao encerramento. A TC mostrou coleções retroperitoneais, drenadas por via endoscópica transgástrica com prótese LAMS, removida ao 27.º dia. Apresentou fratura do úmero esquerdo (redução e encavilhamento) e lesões anóxico-isquémicas cerebrais pós-hipotensão intraoperatória. Evoluiu favoravelmente, sendo transferido para o Centro de Reabilitação após 120 dias de internamento
Resumo Discussão
A gestão eficaz do trauma duodenal exige um diagnóstico rápido, cirurgia precoce e abordagem multidisciplinar, destacando o papel central da cirurgia geral na gestão de doentes politraumatizados