Avaliação de fatores de risco para a deiscência da ferida perineal nos doentes submetidos a amputação abdominoperineal
Autores
Ricardo Santos, Manuel Rosete, António Manso, Alexandre Monteiro, Mário Sérgio, Miguel Fernandes, Nuno Rama, Pedro Vaz, Pedro Serralheiro, José G. Tralhão
Resumo Introdução
As complicações da ferida perineal afetam 15 a 30% dos doentes após amputação abdominoperineal (AAP), causando cicatrização tardia, internamento prolongado, atraso na quimioterapia e menor qualidade de vida. Analisar potenciais fatores de risco para deiscência da ferida perineal em doentes submetidos a AAP.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo unicêntrico de 78 doentes submetidos a AAP entre agosto de 2019 e setembro de 2025, maioritariamente por adenocarcinoma do reto.
Resumo Resultados
Incluídos 26 mulheres e 52 homens (mediana 70 anos); 88,5% intervencionados por laparoscopia. O encerramento da ferida perineal foi primário em 68 casos (87,2%) e com retalho em 10 (12,8%). Registaram-se 19 casos (24,4%) de deiscência. Não houve associação significativa entre tipo de encerramento e deiscência (p=0,699). A Infeção da Ferida Operatória (IFO) associou-se significativamente à deiscência (p=0,003), aumentando o risco em 8,02 vezes. O tabagismo foi também fator de risco significativo (p=0,012; OR=5,15). Idade, IMC, diabetes, neoadjuvância não mostraram diferenças. Na análise multivariada, a IFO foi o único preditor independente (ORaj=30,457; p=0,05).
Resumo Discussão
A taxa de deiscência (24,4%) corrobora a literatura. A ausência de significância estatística relativamente ao tipo de encerramento pode dever-se à amostra reduzida do grupo retalho. A IFO e o tabagismo destacam-se como principais fatores de risco. É crucial otimizar a prevenção de infeção perioperatória e promover a cessação tabágica pré-operatória.