O transplante hepático em doentes com metáteses hepáticas de cancro colorectal
Autores
Pedro Custódio, Nádia Silva, Mafalda Sobral, Sílvia Silva, Sofia Carrelha, Jorge Lamelas, Raquel Mega, João Santos Coelho, Hugo Pinto Marques
Resumo Introdução
A sobrevivência global (SG) a 5 anos em doentes com metástases hepáticas de cancro colorretal (MHCCR) irressecáveis permanece inferior a 10%. Ensaios recentes demonstram que o transplante hepático (TH) constitui uma alternativa potencialmente curativa em doentes selecionados, mesmo com doença ressecável. O presente estudo compara doentes elegíveis para transplante submetidos a resseção hepática (RH) com doentes submetidos a TH.
Resumo Métodos
Foi realizada em SPSS uma análise retrospetiva de doentes com MHCCR submetidos a RH com intenção curativa entre 2014 e 2024. Os critérios de exclusão incluíram, entre outros, uma pontuação de Oslo >2. Os endpoints primários foram a SG e a sobrevivência livre de doença (SLD); o endpoint secundário insidiu nos fatores de mau prognóstico para SG após RH.
Resumo Resultados
No período em análise, foram efetuadas 1692 RH por MHCCR, das quais 242 cumpriram os critérios de inclusão. No mesmo período, 12 doentes foram submetidos a TH por doença irressecável. A SG e SLD a 5 anos foi de 37% vs. 45% (p=0,90) e 23% vs. 45% (p=0,99) para RH e TH, respetivamente. Na análise multivariável, lesões >5,5 cm (p=0,03) e resseção R1 (p=0,03) constituiram fatores independentes de mau prognóstico para SG após RH.
Resumo Discussão
A SG e a SLD foram comparáveis entre RH e TH. Lesões >5,5 cm e margens R1 associaram-se a pior prognóstico após RH. Estes dados sustentam a necessidade de continuar a avaliar o TH como alternativa curativa em doentes selecionados com MHCCR ressecáveis.