Ressonância Magnética no Cancro de Mama - Qual o impacto na abordagem inicial?
Autores
Margarida Bernardo; Joana Simões, António Soares, Francisca Silva, Rodrigo Oom, Cristina Costa, João Vargas Moniz, Nuno Abecasis
Resumo Introdução
A ressonância magnética (RM) pré-operatória está indicada no estadiamento loco-regional no cancro da mama em casos particulares segundo recomendações internacionais. No entanto, alguns centros utilizam este exame de forma sistemática no estadiamento, sendo esta uma questão que permanece em debate.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo, unicêntrico (junho?dezembro 2023), doentes com carcinoma invasivo (CI) ou carcinoma ductal in situ (CDIS), estadiados com RM após ecografia/mamografia inicial.
Resumo Resultados
Foram incluídos 346 doentes: 87,6% com CI (n=303), 12,4% com CDIS (n=43). Com a RM upstaging: do T31,8% (n=110); do N 9,8% (n=34); do estadiamento 24,9% (n=86). Ecografia de second-look foi realizada na mama/axila em 32,1% (n=111) e 11,3% (n=39) confirmaram a suspeita da RM. Com a RM proposta cirúrgica alterou para mastectomia em 14,2% (n=49), devido a: 2,0% (n=7) multifocalidade, 9,1% (n=31) multicentricidade e 6,6% (n=23) T-upstaging. Com a RM 20% (n=68)dos doentes alteraram a abordagem: 14,2% (n=49) cirurgia ipsilateral, 2% (n=7) cirurgia contralateral, 5,2% (n=19) cirurgia axilar e 1,2% (n=4) com indicação para quimioterapia neoadjuvante. Na análise univariada tumores lobulares (p 0.015) e densidade mamária C (p 0.030) e D (p 0.019) apresentam maior risco para mudança da abordagem após a RM mas sem significado na análise multivariada.
Resumo Discussão
Estes resultados mostram a importância de uma avaliação prospetiva, análise de sobrevivência e custo-efetividade para validar a utilização da RM de forma sistemática.