A maioria dos doentes com cancro do pâncreas necessita de reconstrução vascular como abordagem curativa após tratamento neoadjuvante
Autores
Elsa Francisco, Filipe Borges, Ana Alagoa João, Marta Sousa, Miguel Fróis Borges, Vera Oliveira, Christoph Berchtold, Arianeb Mehrabi, Gil Gonçalves, Markus W. Büchler
Resumo Introdução
As resseções vasculares tornaram-se um procedimento de rotina em centros especializados, particularmente em doentes com cancro do pâncreas borderline ou localmente avançado após tratamento neoadjuvante. Este estudo tem como objetivo apresentar a experiência do nosso centro.
Resumo Métodos
Análise retrospetiva utilizando um registo institucional prospectivamente recolhido entre 2020 e 2024.
Resumo Resultados
Foram realizadas 282 cirurgias por cancro do pâncreas e em 105 (37%) foram realizadas resseções vasculares. Dos 114 (40%) doentes submetidos a cirurgia após tratamento neoadjuvante, 60 (53%) necessitaram de reconstrução vascular , em comparação com 45 (27%) dos doentes submetidos a cirurgia direta (p<0,001). A resseção venosa foi realizada em 84 doentes, a resseção arterial em 8 doentes e a resseção simultânea arterial e venosa em 13 doentes. A taxa de fístula pancreática (grau B/C) foi de 12%, a taxa de hemorragia pós-pancreatectomia (grau B/C) foi de 13%, o tempo mediano de internamento hospitalar foi de 13 dias, a morbilidade global (grau Clavien-Dindo ?3) foi de 36% e a taxa de mortalidade aos 90 dias foi de 4,7%.
Resumo Discussão
Os doentes com cancro do pâncreas necessitam frequentemente de resseções vasculares, particularmente após o tratamento neoadjuvante. Quando realizadas por equipas experientes, os resultados destas cirurgias complexas são favoráveis. Os centros especializados em cancro do pâncreas devem oferecer formação em cirurgia vascular para possibilitar resseções radicais.