Hemoperitoneu pós-RCP com LUCAS - um caso raro
Autores
Joana Pedro Marques; Ana Rita Martins; Belarmino Clemente; Teresa Macedo; João Castro; Maria João Jervis.
Resumo Introdução
Para otimizar a qualidade das compressões torácicas na reanimação cardiopulmonar (RCP), reduzir a fadiga dos profissionais de saúde e garantir a continuidade das manobras, foram desenvolvidos dispositivos de RCP mecânica, como o LUCAS®. A RCP mecânica com LUCAS® pode causar lesões traumáticas graves, sendo as abdominais raras mas potencialmente fatais. O reconhecimento precoce é essencial para atuação cirúrgica atempada.
Resumo Métodos
Homem, 67 anos, com antecedentes cardiovasculares significativos, sofreu PCR súbita na via pública, sendo submetido a RCP prolongada com LUCAS®. Após ROSC, apresentava instabilidade hemodinâmica, lactatos elevados e ausência de lesões coronárias agudas. Nas horas seguintes verificou-se queda de 4 g/dL da hemoglobina. Angio-TC revelou volumoso hematoma subcapsular hepático com extravasão ativa e hemoperitoneu abundante.
Resumo Resultados
Foi submetido a laparotomia exploradora, identificando-se laceração hepática de 2?3 cm (Seg IV/V) responsável pelo hemoperitoneu. Realizou-se hemostase com compressão manual, agentes hemostáticos, rafia hepática e epiplonoplastia, com melhoria progressiva dos parâmetros hemodinâmicos. Necessitou de transfusão de hemoderivados e recuperação de sangue por cell-saver.
Resumo Discussão
O hemoperitoneu pós-RCP mecânica é uma complicação rara que deve ser considerada perante instabilidade ou queda de hemoglobina após ROSC. A imagiologia precoce e a intervenção cirúrgica célere são determinantes para o prognóstico.