Migração vesical de corpo estranho gastrointestinal - a propósito de um caso clínico
Autores
Inês Vaz Arnaud, Cláudia Lima, Fábio Viveiros, Raquel Gomes, Nuno Gonçalves, José Pedro Fernandes, Tiago Sá, Fernando Barbosa, Licínio Rego
Resumo Introdução
Doente de 63 anos, sexo masculino, autónomo, com antecedentes de HTA, excesso de peso e SAOS. Recorreu ao SU por dor abdominal hipogástrica moderada com dois dias de evolução, com poliaquiúria e disúria associadas. Com febre (38ºC) no SU. Ao exame objectivo com dor a palpação profunda do hipogastro, sem defesa, sem sinais de irritação peritoneal. Analiticamente com aumento dos parâmetros inflamatórios (PCR 14,70); urina II sem alteração de relevo.
Resumo Métodos
Realizou TC-AP que demonstrou: "Na cavidade abdominal, contígua à parede vesical sem a intersectar, no seu teto, área inflamatória com 65x40mm corpo estranho linear de elevada densidade com 25mm de comprimento .Sem inequívoca origem em ansas do delgado ou do sigmoide, estruturas próximas às alterações inflamatórias descritas.
Resumo Resultados
Decidido por internamento sob PipeTazo. Realizou TC-AP de reavaliação aos 10 dias de internamento, que revelou "a imagem linear densa de 25 mm parece situar-se agora no lúmen vesical; - área inflamatória peri-vesical mostra ligeira redução dimensional (50 x 42 mm); - sem novas lesões;". Pedida colaboração de urologia, que agendou citoscopia. Durante o fim-de-semana, no entanto, o doente exteriorizou o corpo estranho espontaneamente, através da micção; aparente espinha com cerca de 4cm de comprimento.
Resumo Discussão
Este caso mostra a evolução por vezes inesperada da presença de corpos estranhos intra-abdominais. O doente teve alta sem complicações e sem ter sido submetido a intervenções invasivas.