Infeção esternoclavicular por S. aureus: uma entidade rara e potencialmente grave
Autores
Beatriz Luciano; Rita Banza; Alexandra Rocha; João Simões; Miguel Neves; Rita Brásio, Miguel Coelho dos Santos
Resumo Introdução
As infeções da articulação esternoclavicular são raras, representando menos de 1% das artrites sépticas, podendo estender-se rapidamente aos tecidos cervicotorácicos, com elevada morbilidade. Objetivos: Descrever um caso de abcesso esternoclavicular e torácico anterior esquerdo por S. aureus em doente com múltiplas comorbilidades.
Resumo Métodos
Homem, 74 anos, diabético insulino-tratado e com doença renal crónica, recorreu ao Serviço de Urgência por febre e lombalgia. À observação encontrava-se obnubilado e apresentava tumefação cervical esquerda, com sinais inflamatórios locais. Analiticamente apresentava elevação dos parâmetros inflamatórios. A TC cervical revelou coleção abcedada adjacente à articulação esternoclavicular esquerda, com extensão ao grande peitoral (piomiosite) e osteíte clavicular. Foi submetido a drenagem cirúrgica de abcesso cervical e torácico anterior.
Resumo Resultados
Durante o internamento realizou antibioterapia dirigida à microbiologia do pús drenado (S. aureus multissensível), com boa evolução clínica e analítica. A reavaliação imagiológica evidenciou apenas coleção residual. Teve alta ao 15º dia pós-operatório.
Resumo Discussão
As infeções esternoclaviculares devem ser consideradas em doentes diabéticos febris com tumefação cervicotorácica. O exame clínico e a imagiologia são determinantes para caracterizar a extensão da infeção e planear a drenagem. A drenagem precoce associada a antibioterapia dirigida é crucial para o desfecho favorável em abcessos esternoclaviculares com extensão torácica.