Anafilaxia ao azul de isossulfano durante biópsia de gânglio sentinela, a propósito de dois casos.
Autores
Nuno M. F. Gonçalves, Inês Arnaud, Cláudia Lima, Fábio Viveiros, Raquel Gomes, José Pedro Fernandes, Tiago Sá, Luísa Calais Pereira, Licínio Rego
Resumo Introdução
A anafilaxia perioperatória é um desafio, especialmente na biópsia do gânglio sentinela onde o corante azul de isossulfano é frequentemente utilizado. Embora rara, a anafilaxia provocada por este corante está descrita na literatura (incidência de 1-3% dos procedimentos). O mecanismo subjacente é uma reação de hipersensibilidade tipo I, provavelmente devido à sua natureza haptena.
Resumo Métodos
Duas mulheres, 71 e 69 anos, ambas com antecedentes de dermatite de contato alérgica a adesivos, propostas para cirurgia conservadora da mama com biópsia de gânglio sentinela utilizando azul de isossulfano.
Resumo Resultados
Após a injeção do corante, a primeira desenvolveu um rash urticariforme, azulado e generalizado, sem repercussão hemodinâmica ou ventilatória. A segunda desenvolveu choque anafilático, inicialmente com hipotensão marcada e refratária, seguido de rash generalizado, mas sem alterações ventilatórias. A cirurgia foi temporariamente suspensa até estabilização hemodinâmica. Ambos os procedimentos foram concluídos sem outras intercorrências, confirmando-se mais tarde a alergia ao corante em consulta de imunoalergologia.
Resumo Discussão
Apesar do choque anafilático apresentado, a maioria das reações a este corante não são graves. Embora raros, estes casos destacam a importância de alertar as equipas cirúrgicas para possíveis reações ao corante, sendo o reconhecimento precoce essencial para um tratamento adequado. Destacam também a importância da progressão para técnicas alternativas mais seguras para mapeamento linfático.