Análise macroscópica da vesícula biliar - uma alternativa ao exame anátomo-patológico?
Autores
Raquel Gomes, Cláudia Lima, Inês Arnaud, Fábio Viveiros, Nuno Gonçalves, José P. Fernandes, Cristina Silva, Cristina Monteiro, Mª João Koch, Licínio Rego.
Resumo Introdução
As neoplasias incidentais da vesícula biliar têm uma prevalência de 1-2%. Dado o custo associado ao exame anátomo-patológico questiona-se atualmente a sua realização por rotina. Avaliou-se a acuidade da análise macroscópica da vesícula biliar comparativamente com o exame histológico.
Resumo Métodos
Estudo de coorte prospetivo incluindo doentes submetidos a colecistectomia eletiva por patologia biliar benigna entre maio de 2024 e julho de 2025, com análise macroscópica da vesícula pelo cirurgião e registo de alterações a justificar o estudo histológico. Todas as peças de colecistectomia foram submetidas a análise histológica.
Resumo Resultados
Amostra total de 192 participantes, dos quais em 38 (19.8%) foram identificadas alterações macroscópicas mas sem correlação com a histologia (Tabela1). Nas vesículas que não apresentaram alterações macroscópicas (154, 80.2%) foram diagnosticados histologicamente 2 (1%) lesões pré-malignas com margens cirúrgicas livres.
Resumo Discussão
Dada a baixa prevalência de neoplasias vesiculares, pondera-se o envio seletivo para estudo histológico apenas nos casos que se identifiquem lesões macroscópicas. Apesar da reduzida amostra os resultados estão de acordo com esta perspetiva. As 2 lesões pré-malignas identificadas e sem alterações macroscópicas associadas foram adequadamente tratadas com a colecistectomia. A maioria das neoplasias vesiculares com implicações terapêuticas e prognósticas traduz-se habitualmente em alterações macroscópicas apoiando a estratégia de um exame histológico seletivo.