A utilização de toxina botulínica como técnica adjuvante para a reconstrução da parede abdominal - experiência de centro terciário
Autores
Elisabete do Vale Campos, Telma Fonseca, Inês Leite de Faria-Teixeira, Rita Ribeiro Dias, José Pedro Vieira de Sousa, Ana Oliveira, Eva Barbosa, Silvestre Carneiro
Resumo Introdução
As hérnias complexas da parede abdominal representam um desafio cirúrgico. Técnicas adjuvantes como o pneumoperitoneu progressivo (PPP) e a injeção de toxina botulínica tipo A (TBA) visam aumentar a complacência da parede abdominal, facilitando o encerramento primário sem tensão durante a reconstrução da parede abdominal (RPA).
Resumo Métodos
Foi realizado um estudo retrospectivo abrangendo cirurgias RPA complexa realizadas entre abril de 2021 e julho de 2024. De um total de 286 procedimentos, em 92 (32,2%) foi utilizada a TBA e 11 (3,8%) exigiram a utilização concomitante de PPP.
Resumo Resultados
A amostra incluiu 50 homens e 42 mulheres, com idade mediana de 68 anos. 44 tinham IMC>30 kg/m², 31 eram diabéticos, 16 tinham histórico de tabagismo, 6 pacientes apresentavam DPOC e 2 eram imunossuprimidos. O score de CeDAR mediano foi de 34% (min 12%; máx 95%). O diâmetro do defeito herniário variou de 6 a 20 cm, com uma mediana de 18 cm. Todos os pacientes receberam TBA ecoguiadamente (500U, distribuídas em 5 pontos bilaterais), 4 semanas antes da cirurgia sem nenhuma intercorrência. Em 50% dos casos foi utilizada a técnica cirúrgica TAR e em 34% a técnica de Rives-Stoppa-Wantz. 32 doentes apresentaram complicações no pós-operatório, maioritariamente com classificação CDI/II. O tempo mediano de internamento foi de 6 dias.
Resumo Discussão
O estudo não mostrou eventos adversos associados à TBA, e em todos foi possível o encerramento primário da parede abdominal sem tensão. Nenhum paciente apresentou recidiva herniária.