Divertículo Duodenal como Diagnóstico Inesperado de Obstrução Biliar
Autores
Bárbara Gaspar, Inês Mónica, Adelaide Graça, Ana Margarida Fernandes, Adriana Quitério, Horácio Sousa, Flora Faria, Catarina Nunes, Eduardo Coutinho
Resumo Introdução
Os divertículos duodenais têm incidência de 2-5%, dos quais apenas 5-10% são sintomáticos. Podem manifestar-se por náuseas, vómitos, dor abdominal, icterícia obstrutiva, colangite ou pancreatite.
Resumo Métodos
Mulher de 85 anos, com hipertensão arterial, dislipidemia, fibrilação auricular e antecedentes de colecistectomia. Recorreu ao serviço de urgência por episódios de náuseas, vómitos e dor abdominal epigástrica com evolução de 2 horas. Analiticamente sem alterações de relevo. Realizou ecografia abdominal que revelou dilatação da via biliar principal (VBP) (15mm) e intra-hepáticas (VBIHs), sem visualização distal por interposição gasosa. Realizou CPRM eletiva que mostrou um estreitamento do segmento intrapancreático do colédoco, possivelmente devido a uma estenose.
Resumo Resultados
Neste seguimento realizou CPRE onde se observou dilatação da VBP (20mm) e VBIHs. Realizada esfincterotomia biliar e exploração da VBP com balão extrator, sem saída de cálculos ou presença de estenoses. Identificou-se divertículo duodenal compatível com síndrome de Lemmel. Reavaliação aos 3 meses evidenciou resolução dos sintomas e tolerância adequada à dieta.
Resumo Discussão
O reconhecimento dos divertículos duodenais sintomáticos é essencial perante quadros de obstrução biliar ou dor abdominal inexplicada. O diagnóstico exige elevada suspeição clínica e a CPRE desempenha um papel central na identificação e tratamento. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, variando entre tratamento conservador, endoscópico ou cirúrgico.