Fatores de risco para resseção intestinal em hérnias encarceradas
Autores
Dr. André Cortesão, Dr. João Simões, Drª Raquel Teixeira, Dr. Diogo Paula, Dr. Jorge Costa, Drª Sara Andrade, Dr Tiago Antunes, Professor Dr José Guilherme Tralhão
Resumo Introdução
A reparação urgente da hérnia inguino-crural encarcerada é frequente. Em alguns casos, é necessária a resseção intestinal, algumas vezes só identificado no intra-operatório. Até ao momento, nenhum estudo identificou um marcador esclarecedor quanto a necessidade de resseção.
Resumo Métodos
Estudo retrospetivo com objetivo de identificar os fatores preditivos para resseção intestinal. Incluídos 101 doentes submetidos a reparação de hérnia inguino-crural encarcerada de urgência entre 01/2021 até 12/2023. Analisaram-se variáveis como o género e a idade, o tempo entre o início dos sintomas e a abordagem, tipo de hérnia, valores clínicos, valores analíticos (lactatos, albumina, creatinoquinase, aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase, proteína C reativa, leucócitos, neutrófilos, monócitos, plaquetas, score ASA, necessidade de resseção, peritonite.
Resumo Resultados
Os valores com significância estatística para resseção intestinal foram a elevação dos lactatos > 1,12mmol/L (p = 0,044), PCR > 3,81mg/dL (p = 0,011); plaquetas > 283,5G/L (p = 0,034), e presença de peritonite (p = 0,018).
Resumo Discussão
Os parâmetros analisados demonstram maior probabilidade de resseção intestinal, o que pode ser utilizado para estratificação do risco. Devem ser tido em conta os achados clínicos, analíticos e imagiológicos para a decisão final. Neste estudo, a elevação dos lactatos, proteína C reativa e plaquetas são preditores para resseção intestinal na hérnia inguino-crural encarcerada.